Blog do Bruno Voloch

Rússia não
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Bruno Voloch

É impressionante a rivalidade entre poloneses e russos.

Já na abertura do mundial em Varsóvia, a gente pode perceber que a Rússia está muito longe de ser querida na Polônia.

Enquanto todos os países eram apresentados num imenso telão no estádio nacional, um vaia gigantesca tomou conta do local quando os organizadores exibiram imagens de jogos da Rússia.

Não imaginava.

Algo parecido com Brasil e Argentina no futebol, guardadas as proporções devidas.

Confesso que desconhecia o tamanho da rivalidade embora tivesse noção de que russos e poloneses não morressem de paixão.

As palavras de Katarzyna Skowrońska, ídolo local e que fez história na seleção feminina, resumem bem a realidade dos fatos: 

'Lá é assim, então aqui não seria diferente. É uma coisa criada através da história, passou pelos torcedores e chegou dentro de quadra. Tenho muita esperança e acredito que a Polônia possa chegar, mas se não der, ver a Rússia campeã aqui na Polônia não. Qualquer um, menos a Rússia'.

A Polônia foi campeã pela última vez em 1974.


Doug Beal: ‘Lucão está entre os 3 melhores do mundo’
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Bruno Voloch

Doug Beal foi candidato ao cargo de Presidente da FIVB, Federação Internacional de Vôlei, nas eleições de 2012. O ex-técnico da seleção dos Estados Unidos acabou sendo derrotado em decisão apertada  por Ary Graça.

Campeão olímpico em 1984 e considerado uma referência dento e fora das quadras, Doug Beal conversou comigo por quase duas horas no lobby do hotel.

Eis os principais pontos:

Blog: Imaginava algum dia assistir a abertura de um campeonato mundial dentro de um estádio de futebol ?

Doug: Nunca. Realmente foi uma iniciativa muito corajosa do Ary Graça. Ele fez o correto e não poderia arriscar realizar esse tipo de evento em qualquer país. A Polônia respira vôlei e era natural que os torcedores correspondessem como aconteceu. Algo realmente incrível. O que me preocupava era a parte técnica, mas a vitória da Polônia por 3 a 0 acabou sendo indiscutível.

Blog: A Polônia pode ir além ?

Doug : Não creio, Por mais que tenha o apoio do público existe uma limitação em quadra e nem sempre o incentivo que vem de fora é o suficiente para resolver e desequilibrar as ações.

Blog: Qual seleção é a favorita ?

Doug: Eu não vejo uma seleção e sim duas: Rússia e Brasil, na ordem. Mas times como Itália e Estados Unidos podem surpreender. A França é perigosa e foi uma grande surpresa não ter jogado as finais da liga mundial. O que existe hoje é um equilíbrio muito grande diferente de um passado recente quando Brasil, Itália e nós dominamos o mundo. Hoje não. É um sobe e desce muito grande e falta consistência para a maioria, inclusive Brasil e Rússia. ( Doug usou o termo up and down ).

Blog: Você não parece entusiasmado com o time dos Estados Unidos…

Doug: Não se trata de entusiasmo. A equipe é jovem, tem jogadores ainda universitários e pode sentir sim a pressão de jogar um campeonato mundial. Não é fácil. Temos um time muito bem montado, com jogadores fortes fisicamente, equilibrado na parte tática, mas o Sander por exemplo é garoto ainda. Anderson e Lee são fundamentais. O Micah ( levantador ) tem 21 anos. Como pode se exigir algo dele ? Nunca porém se deve desdenhar dos Estados Unidos. Gostamos de jogar contra as grandes potências.

Blog: E a seleção brasileira ?

Doug: O Brasil é um dos favoritos ao lado da Rússia. A verdade é que não tem mais a mesma força de anos atrás com Giba, Nalbert, André e Ricardinho ( esses citados ), mas tem tradição. Perdeu com a saída do líbero ( Serginho), mas hoje o jogador que pode decidir para o Brasil é o Lucas ( Lucão ).

Blog: Ele é o melhor do time ?

Doug: Sim. Disparado. Lucas é hoje um dos 3 melhores jogadores do mundo. Completo. É um atleta impressionante, agressivo e muito inteligente.

Blog: Você não citou Murilo, campeão do mundo, em 2010 ?

Doug: A pergunta foi quem era o melhor e respondi. Lucas é o melhor e quem pode decidir.

Blog: E a Rússia ?

Doug: Se jogar 100% ganha o mundial. Acontece que esse ano ainda não vi a Rússia 100% em nenhum jogo, ou seja, só se deixaram para jogar agora. É um time muito alto, com opções conhecidas, mas se jogar com passe na mão ( faz cara feia sobre o levantador ) fica complicado vencer eles.

Blog: Como vê essa relação de pai com filho na seleção. Bernardinho e Bruno ?

Doug: Muito difícil e pior para o Bernardinho. É quem mais sofre. Para o jogador não tem o mesmo peso. Para o técnico sim. Você tem filhos ?  (respondo que sim. Dois). É natural que vc proteja sua cria.  Acontece instintivamente mas que tem um peso dentro do grupo. Não deveria, mas o tratamento acaba sendo diferenciado. É natural. Mas não é uma situação confortável para o Bernardinho.

Blog: E quanto ao Bruno ?

Doug: Bom jogador, tem qualidades, mas está na média dos demais que jogam na posição.

Blog: E o trabalho de Bernardinho, como você avalia ?

Doug: Conquistou tudo que poderia, portanto os números respondem. É muito estudioso, sofre demais pelo time e precisaria se controlar. Não acho bonito para o jogo o comportamento dele fora de quadra, mas ele só sabe agir assim. Deveria repensar as atitudes. Ele briga até com a tecnologia.

Blog: E o avanço da tecnologia no vôlei ?

Doug: Existe o lado positivo na ajuda com a arbitragem. Existe o lado negativo de alguns treinadores se aproveitarem e retardarem o jogo mesmo sabendo que seu pedido não será aceito. Não vejo assim essencial. Fica uma coisa muito mecânica, tira um pouco do lado esportivo, afinal erros sempre irão acontecer, contra ou a favor, com ou sem tecnologia uma vez que você não pode parar a partida sempre.

Blog: Bernardinho e José Roberto estão há muito tempo dirigindo as seleções nacionais. Esse é o cenário ideal ?

Doug: Pergunta complicada ( ele ri e pensa ). Acho que não. Mas existem nomes e profissionais com a mesma capacidade ? Se não houver, não adianta trocar. Crises existem e o desgaste é natural que aconteça. Não existe unanimidade. Precisa ter respeito e saber quem decide, no caso o técnico. Você acha que todos os jogadores gostam do Bernardinho ? Você acha que todo gostavam de mim ? Seria uma hipocrisia achar que sim. Claro que não. O que pode segurar uma eventual crise ou momento de desgaste são os resultados, mas a mudança é natural e acho que no caso do Brasil não sou eu o mais aconselhado para falar.

Blog: E a seleção feminina dos Estados Unidos ?

Doug: ( ele se anima ). Essa vem forte demais para a olimpíada. Algumas jogadoras estarão de volta casos da  Hooker e Megan. Logan está fora, mas outras podem reaparecer. Acredito que já no mundial o time possa dar trabalho, mas o projeto é para o Rio de Janeiro em 2016.

 

 


Antes tarde do que nunca
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Bruno Voloch

Bernardinho se rendeu.

Ao menos em parte.

Na partida de estreia contra a Alemanha finalmente o treinador deixou de ser 100% Mario Jr, o que convenhamos é um avanço gigantesco.

A obrigação de contar com 2 líberos fez Bernardinho dividir as funções, algo bem comum entre as demais seleções.

Felipe ficou na defesa e Mario Jr no passe.

Para um estreante em mundiais, Felipe não fez feio, pelo contrário e apresentou números acima do esperado. Foi um dos que mais defendeu nos 3 sets.

A atitude de Bernardinho, mesmo que tardia, deixa enorme esperança de mudanças no futuro,

O processo de transição precisa ser lento para não queimar Felipe, que efetivamente ainda não foi testado. Por mais que deixa a desejar, Mario Jr tem experiência de sobra.

O primeiro passo foi dado.

É cedo para avaliar Felipe.

É tarde porém para mudar o sistema atual.

Saudades dos tempos de Serginho.

Boa Bernardinho …

 


Brasil sem sustos
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Bruno Voloch

Lucão foi o nome do Brasil contra a Alemanha.

Embora a comissão técnica e o levantador Bruno tenham valorizado demais o fator 'estreia', talvez baseados no tropeço da Itália e no sufoco dos Estados Unidos diante da Bélgica, não vi em nenhum momento o time preso em quadra e muito menos ameaçado pela Alemanha.

Lucão, sempre ele, foi decisivo no primeiro set quando o jogo estava ainda relativamente equilibrado. Lucarelli foi o maior pontuador e nenhum jogador na verdade comprometeu.

Murilo resistiu os 3 sets mas estranhamente deu sinais de não estar 100%.

A Alemanha, como de hábito, depende de Grozer. E só.

Importante foi ver a seleção atuando com extrema seriedade e concentração os 3 sets.


Em alta
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Bruno Voloch

Vi de perto. Ninguém me contou ou relatou os fatos.

Presenciei e participei da entrevista de Ary Graça, presidente da FIVB, aqui na Polônia.

O ex-mandatário da CBV segue em alta e com prestígio inabalado.

As mudanças recentes e as consequentes inclusões de seleções que nem sonhavam em aparecer no cenário mundial fizeram crescer ainda mais a cotação de Ary.

O 'inchaço' do Grand Prix e da Liga Mundial foi um dos trunfos do dirigente.

Dirigentes de praticamente todas as federações do mundo estiveram presentes na abertura do mundial em Varsóvia e enalteceram a importância do crescimento do esporte em seus respectivos países graças a iniciativa da FIVB.

Ary foi reverenciado.

O atual presidente da FIVB apresentou números impressionantes em relação ao Grand Prix, Liga Mundial e especialmente o evento que marcou a abertura do mundial no Estádio Olímpico de Varsóvia.

Em menos de duas horas todos os ingressos para Polônia e Sérvia foram vendidos.

Ary qyer mais.

Deseja investir pesado em tecnologia no indoor,  quer acabar com jogos 'arrastados' e pouco dinâmicos limitando o tempo e dando mais responsabilidade aos árbitros.

Mudanças estão previstas também para o vôlei de praia.

Doug Beal, 55 anos, e o australiano Christopher Schacht, de 65, concorrentes na eleição de 2012, se renderam.

Perto de completar dois anos no cargo, Ary conquistou longe do Brasil sua primeira grande vitória pessoal desde que assumiu a FIVB em 2012.

 

 

 

 


Zebra de cara
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Bruno Voloch

A zebra aparaceu logo na primeira rodada do mundial masculino.

A vítima acabou sendo a Itália que foi derrotada pelo Irã por 3 a 1 em Cracóvia.

Zebra sim.

E não há quem me convença do contrário, muito embora o técnico italiano, do alto de sua incompetência, tenha afirmado após o jogo que hoje o Irã tem mais time que a Itália.

Não acho.

O Irã evoluiu, fato. Mas o resultado não deixa de ser uma enorme surpresa ainda mais se tratando de uma estreia em mundial.

Os Estados Unidos também quase foram surpreendidos. Os norte-americanos sofreram e precisaram de 5 sets para vencer a Bélgica. Vitória previsível, placar inesperado e os Estados Unidos deixam escapar 1 ponto importante.

Ainda pelo 'grupo da morte', a França derrotou Porto Rico com facilidade por 3 a 0.

Embora não tenha disputado as finais da última Liga Mundial, a França tem um time muito competitivo e equilibrado. Vai dar trabalho.

Em Wrolclaw, a Argentina não empolgou mas jogou o básico para superar a fraca Venezuela por 3 a 0. A Austrália passou fácil por Camarões pelo mesmo placar.

 


Espetacular
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Bruno Voloch

Varsóvia.

Difícil, muito difícil encontrar adjetivos para falar do evento que marcou a abertura do campeonato mundial masculino.

Organização perfeita do início ao fim.

Dentro e fora de quadra.

Sem exageros. Um autêntico show.

Público entusiasmado, participativo e que comprou a ideia de apoiar a seleção nacional.

Desde as primeiras horas do dia o que se via pelas ruas da cidade, eram torcedores desfilando com as camisas da Polônia.

Detalhe.

Nada de futebol.

Camisas de vôlei e com o nome dos jogadores estampado nas costas, algo que sinceramente jamais vi e pensei que pudesse presenciar.

A FIVB, Federação Internacional de Vôlei apostou no lugar certo.

Polônia.

Ary Graça inovou e foi corajoso.

Aqui o vôlei é respeitado e o esporte número 1 do país.

Evento organizado com maestria, sem deixar passar nenhum detalhe e contou com a presença do presidente do país Bronislaw Komoowsky.

Segurança reforçada e convidados ilustres como vários ex-jogadores que brilharam no cenário mundial.

Fico imaginando se a Polônia tivesse tivesse time para ser campeã do mundo. Hoje não tem, mas sabe-se lá o que pode acontecer se a equipe for carregada nas costas pela torcida.

O jogo, resultado dentro de quadra, acabou sendo secundário na abertura. Um 3 a 0 rápido e que mostrou uma Sérvia fragilizada e absolutamente assustada com o apoio dos mais de 60 mil fanáticos poloneses.

O 30 de agosto de 2014 jamais será esquecido e ficará marcado para sempre na história do vôlei mundial.

 

 

 


Regla Torres e Tatyana Gracheva
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Bruno Voloch

A noite foi longa em Varsóvia.

Hospedado no Regent Warsaw Hotel, encontro com a cubana Regla Torres e a russa Tatyana Gracheva.

Papo para mais de 3 horas no restaurante.

Regla, 39 anos, Tatyana fez 41.

O currículo da cubana é muito mais vitorioso com 3 ouros olímpicos e 2 mundiais.

Tatyana era conhecida mais pela beleza do que pelo jogo efetivamente. Esteve em Atlanta 1996 e foi levantadora da Rússia na olimpíada de Sidney em 2000. Saiu com a prata.

Não perdeu a pompa e muito menos o charme. Simpática, sentou-se na mesa quando Regla e eu já tínhamos gastado a saliva,

Falamos dos bons tempos. Muitas histórias.

Regla preocupada com o modelo de Cuba atual. Até ano passado, atuava como assistente do time feminino adulto.

Descontente, optou por abandonar o processo e cuidar da família. Sonha engravidar.

Tatyana era só sorrisos.

Sorriso e confiança no título mundial masculino e certeza de que o feminino será tri na Itália.

Segundo ela, o retorno de Gamova é fundamental ao time. Curiosamente, disse que Sokolova é importante 'apenas no passe' e que a postura da equipe na Itália será outra. Garantiu que o Grand Prix ficou em segundo plano.

Kosheleva, ainda segundo Tatyana, cresce muito quando joga ao lado de Gamova.

Um post somente não seria o suficiente para contar detalhadamente o que foi conversado.

Regla Torres, disse entre outras coisas, que Bernardinho xingava suas companheiras durante os jogos quando ainda dirigia a seleção feminina e que a relação com as brasileiras era boa até o título mundial conquistado em São Paulo em 1994.

Depois a coisa desandou …

 

 

 


Ausência justificável
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Bruno Voloch

Varsóvia, Polônia.

Os dois dias sem postagens são justificáveis.

Acabo de chegar a Varsóvia para assistir a abertura do mundial masculino como convidado da FIVB, Federação Internacional de Vôlei.

Viagem boa, com passagem por Paris até o desembarque na capital polonesa.

Entre as andanças pelo mundo afora nesses mais de 25 anos de carreira com 5 Copas do Mundos e 5 Olimpíadas nas costas, é a primeira vez que visito Varsóvia.

Cidade elegante, povo muito receptivo e orgulhoso de receber a competição em 2014.

Será, não tenho dúvida, um evento espetacular logo mais no Estádio  Nacional de Varsóvia onde vão se enfrentar Polônia e Sérvia.

6o mil fanáticos torcedores estarão presentes.

Os ingressos estão todos vendidos, segundo as autoridades daqui da Polônia, desde a última terça-feira.

Desde 1984, ou seja, 30 anos, que uma partida da modalidade não acontecia em um estádio de futebol.

Imperdível.

Lisonjeado em poder fazer parte dessa história.


Perigo à vista
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Bruno Voloch

Além de Ekaterina Gamova, a Rússia terá Sokolova no campeonato mundial a Itália em setembro.

O técnico da seleção russa, Yury Marichev, anunciou a lista com o nome das 21 jogadoras inscritas.

A relação conta com 3 líberos:  Svetlana Kryuchkova, Anna Malova e Ekaterina Chernova.

As levantadoras Ekaterina Kosianenko, Evgeniya Startseva e Anna Matienko.

Irina Zaryazhko, Irina Fetisova, Yuliya Podskalnaya, Anastasia Shlyakhovaya, Yulia Morozova e Regina Moroz são as centrais.

As opostas Ekaterina Gamova, Nataliya Goncharova e Natalia Malykh e as ponteiras Tatiana Kosheleva, Alexandra Pasynkova, Yana Shcherban, Anastasia Bavykina, Lioubov Sokolova e Iuliia Kutiukova.

7 jogadoras serão cortadas.