Ressentimento, soberba e amargura contrastam com a humildade após conquista do ouro olímpico
Mari não está mais na seleção, mas fez escola. Deixou boas alunas no grupo.
Soube que o gesto famoso após a conquista do ouro em Pequim foi repetido pela líbero Fabi e Sheilla, através das palavras, após a vitória contra os Estados Unidos.
Atitude deprimente e de baixo calão que definitvamente não combinam com Sheilla, especialmente.
A dura lição sofrida por Mari parece não ter sido compreendida por Fabi, eleita a sétima melhor líbero da olimpíada. Garay foi melhor passe e Castillo, da República Dominicana, considerada a melhor líbero e defesa.
“As jogadoras já estão acostumadas com a pressão, deveriam se concentrar, entender e as vezes ignorar as coisas de fora”, disse Sâmia Hallage, psicóloga clínica e esportiva, em recente entrevista na rádio Bradesco Esportes FM.
Sâmia, que trabalhou com boa parte do grupo e com José Roberto Guimarães, não aprova esse tipo de conduta:
“Não concordo. Entendo a vontade de desabafar, mas sempre vai existir essa relação de cobrança nos diferentes segmentos da vida profissional. A vitória precisa e deve ser comemorada internamente”.
Exageros à parte, Sheilla é esclarecida, não tem antecedentes de indisciplina e sabe que terá vida longa na seleção.
A gente até entende que determinadas jogadoras, eternamente ameçadas, e que estão perto de deixar o grupo, consequentemente abrindo caminho para as mais jovens, tenham esse tipo de reação. Pode ser desespero. Pressionada por Camila Brait, Fabi teve a ousadia de dizer que irá pensar se vai defender o Brasil na Olímpiada do Rio em 2016. Em breve, mais precisamente após o término da superliga, ela terá a resposta. Não deve se preocupar.
Será que a medalha de prata da seleção masculina não serve de lição ?
Claro que sim.
Paula Pequeno é outra.
Qual é necessidade de dizer que teria sido mal aproveitada pelo treinador após a conquista do ouro ?
Entendo. É a maneira mais simples de justificar o rendimento abaixo do esperado em quadra.
Alguém viu ou escutou algum desabafo de Dani Lins ?
Dani estava tão ou mais pressionada, afinal a posição de levantadora sempre foi a mais questionada.
A jogadora do Sesi preferiu responder na bola, no trabalho, ganhou a posição e comemorou a façanha de maneira reservada ainda em quadra. Mais tarde, já estava incentivando o companheiro Sidão, titular da seleção masculina, que no dia seguinte disputaria o ouro com a Rússia.
Jaqueline, gratíssima surpresa na final, foi discreta, e simplesmente deixou a mídia de lado. Ciente de que tinha cumprido sua missão, saboreou a medalha, que de fato teve um gosto diferente de 2008 quando assistiu a conquista do banco.
Experiente, o técnico, José Roberto Guimarães, agradeceu o empenho do grupo, o apoio que recebeu da família, as atletas e a comissão técnica. Pediu humildemente que ‘apenas’ tivesse seu trabalho reconhecido.
Lembro que após a vitória contra a China, quando passou a depender de outros resultados, leia-se dos Estados Unidos, o técnico disse que se a seleção fosse eliminada seria por merecimento pois não tinha rendido o suficiente.
José Roberto Guimarães sabe ouvir críticas construtivas. Apanhou quando cortou Mari. Fabíola nem tanto, mas teve que ouvir alguns desaforos e de dentro do grupo.
Nas derrotas e principalmente nas vitórias, conhecemos o verdadeiro atleta. Aprender a ganhar, é mais díficil do que saber perder.
Se não fossem as derrotas para os Estados Unidos e a Coreia e as críticas, talvez o grupo não chegasse com tanta força, coragem e união na decisão contra a Rússia.
As cobranças serão intermináveis, ainda mais depois do segundo título olímpico.
